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O Embondeiro Também Cai

(Uma lição de humildade e respeito às normas no sistema financeiro)

Hoje pela manhã (04/10/2025), na minha já habitual caminhada matinal no calçadão da Praia do Cabo Lombo, no Benfica, após a caminha fui a beira da praia para molhar os pés e sentir a brisa do mar, quando me saltou a vista o embondeiro caído a beira da praia e no meio das águas – não foi a primeira vez que o vi – mas desta saltou-me a vista e capturei uma imagem do mesmo, com o propósito de partilhar um pensamento no contexto jurídico-financeiro, acompanhe a reflexão abaixo, e veja se faz sentido do seu ponto de vista:

“Na praia do Cabo Lombo jaz o embondeiro, um gigante que por séculos foi símbolo de força, sabedoria e estabilidade. Pois, este tipo de arvores podem viver por mais de mil anos, seus troncos poder ter até dez metros de circunferência, altura superior a vinte e cinco metros, e a capacidade de armazenar duzentos litros de água, nesta visão o embondeiro parece inabalável.

Assim também se veem, às vezes, as grandes instituições financeiras. Firmes, sólidas, com raízes profundas na confiança dos seus clientes e na robustez dos seus ativos. Mas, tal como o embondeiro, um dia também podem cair.

O embondeiro não tombou pela força de um machado ou de uma tempestade violenta. Foi a água — discreta, persistente, constante — que, unida em correnteza, minou pouco a pouco a base que o sustentava. Aquilo que parecia fraco venceu pela disciplina, pela constância e pela unidade.

E aqui mora a licção: no sistema financeiro, as “águas” são como as normas. Elas fluem de forma contínua, silenciosa e previsível — orientando, corrigindo e estabilizando o terreno onde os bancos se erguem. Quando são ignoradas, desprezadas ou violadas, elas retornam com força redobrada — não para destruir, mas para lembrar que nenhum banco é maior do que o sistema que o sustenta.

Por isso, por maior que seja uma instituição, nunca deve desprezar as normas, os reguladores ou os princípios éticos da banca. O respeito à Lei 14/21, do Regime Geral das Instituições Financeiras, as demais leis que sustentam o sistema, aos Avisos do Banco Nacional de Angola, e aos padrões prudenciais de conduta, não é uma formalidade — é a própria raiz da confiança.

Porque as normas são como a correnteza: invisíveis a olho nu, mas imparáveis em sua direcção. E quem tenta erguer-se acima delas, mais cedo ou mais tarde, aprende a licção do embondeiro — que até os gigantes caem quando esquecem o valor da humildade e da conformidade.

Pelo exposto, é valido concluir que, o sistema financeiro só é estável quando há respeito mútuo entre o tamanho dos bancos e a força das normas. A grandeza sem regulação é desequilíbrio; o poder sem prudência é risco. O embondeiro também cai — mas a banca que respeita as regras permanece firme, mesmo em meio às chuvas.

Manuel Guimarães

Escritor

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Manuel Guimarães António - Direito | Finanças | Decisão Estratégica